Eu já não sabia o que estava sentindo, se existe morto-vivo, eu era um naquele momento. Minhas mãos não conseguiam digitar mais nada, elas involuntariamente tremiam, e eu apenas podia sentir o meu coração se despedaçar. Por alguns minutos achei que não fosse mais respirar, estava tudo tão irregular, que eu nem sequer conseguia montar na minha cabeça, um esquema do que havia acontecido.
Mas é claro que eu sabia, só não queria acreditar que estava acontecendo comigo. Como num passe de mágica a ficha caiu, e agora mais do que nunca, eu havia entendido o quão ruim é deixar de ser importante na vida de quem amamos, e estava acontecendo comigo, era tudo real, verdadeiro e infeliz.
As lágrimas eram mais velozes do que os meus pensamentos, afinal, já não se tinham pensamentos coerentes, minha cabeça só conseguia focalizar aquela face que jamais seria minha novamente, o único conforto se é que existia algum, era saber que aquilo tudo um dia tinha sido meu.
E as palavras que havia lido, reviravam na minha mente como se fossem ficar ali atormentando para sempre. Eu queria me livrar, mas não conseguia. Eu queria acordar, mas não era sonho, ou melhor, pesadelo. Eu queria ser amado de novo, mas isso era impossível, pelo menos foi o que me pareceu quando li aquelas palavras que me atravessaram como facas amoladas prontas para ferir.
A pessoa já não fazia questão de me ter ali, de continuar compartilhando nossas vivências e de finalmente selar algo que foi importante na vida dos dois, pelo menos achava que era para os dois, mas vejo que não. Depois de tanto tempo, de tanta entrega, não havia sobrado nenhum sentimento, amizade, compaixão, pena, absolutamente nada?
Percebi que a frieza era tanta que pensei estar coberto por pedras de gelo, com uma única diferença, essas pedras não derretiam, ficariam ali para sempre, como marcas indeléveis, congelando os meus sentimentos e mortificando o meu coração.