"Há quem diga que ler é viajar, há quem diga que ler é se aventurar, também, há quem diga que ler é mergulhar em um mundo de magias sem fim. Mas, eles esquecem que, quem possibilita isso tudo, somos nós, aventureiros escritores, expositores de sentimentos e fantasia, pessoas que conseguem fazer as letras falarem pelo coração..."
by Bruce Larrat.
Com o tempo você vai percebendo que as pessoas que marcam ou marcaram de alguma forma na sua vida, vão se esvaindo com uma rapidez incrível, e ainda sim, você não consegue assimilar e explicar o que está acontecendo. Então, você apenas passa a se dar conta de que tudo não passou de um “breve” momento ao lado de alguém muito especial.
Acredito que para cada pessoa a vida traçou um caminho diferente, por isso, todos devem ir atrás das suas essências, todos devem enfrentar seus obstáculos e, sobretudo, percorrer o caminho até o seu término. O problema disso tudo, é que quase sempre nos preocupamos demais com o nosso próprio ego, e esquecemo-nos de olhar e torcer pelo caminho do “outro”, que por muitas vezes foi “a mão que nos ajudou a levantar”, “a nossa mola no fim do poço”, ou como diz o clichê: “a nossa luz no fim do túnel”.
É muito comum ouvirmos de algumas pessoas frases como: “Você é meu melhor amigo”, mas, digam-me, de que tipos de amizade eles estão falando? Àquela que se materializa apenas em fotos bonitas para causar inveja no resto mundo? Ou então, daquela que se materializa em apenas dizer que são amigos há muito tempo? Pois é, o mundo está assim, “bagunçado, confuso e difícil de encarar”.
Precisamos tomar cuidado com as “capas”, ser amigo ultrapassa qualquer explicação, ultrapassa qualquer limite, ultrapassa qualquer adversidade. Como posso chamar de amizade uma relação, em que há trocas? Digam-me, preciso entender... Vamos dar um exemplo: Dois amigos cultivam uma amizade de dezessete anos, um pouco mais de seis mil dias juntos, unidos, vivendo um para o outro. De repente, um dos amigos começa um relacionamento amoroso, e em um curto espaço de tempo, se esquece do outro amigo.
Já pensei em diversas explicações, e ainda sim, não consigo imaginar que tipo, ou que classificação de amizade é esta. Será que nunca existiu? Será que foram tudo sonhos que não aconteceram? Será que foram promessas e palavras jogadas ao vento? É muito fácil olharmos para nossas “vidinhas” maravilhosas e não perceber que ali do lado tem alguém magoado, ou que se sente a pior das criaturas do mundo por ter perdido um amigo.
O que ficam são as fotos, as lembranças, as recordações e os possíveis indícios de que um dia tudo isso existiu. Mas, o tempo cura, o tempo cicatriza, o tempo faz passar e mais do que nunca, o tempo nos dá a certeza de que aquilo tudo uma hora não mais existirá. Portanto, não devemos nos abalar, continue vivendo no seu caminho, o destino se encarregará de preencher aquele vazio com pessoas que realmente fazem valer o nosso amor e amizade.
POR FAVOR, O TEXTO: "CARTA DOS CÉUS" FOI ESCRITO PARA PESSOAS QUE PÕE EMOÇÃO NA HORA DE LER. ENTÃO, QUANDO FOREM LER, LEIAM OUVINDO A MÚSICA: "Sunday, Bloody Sunday - U2". Garanto, vão gostar...
Por favor, não me ignore, não ignore estas palavras! Gostaria que prestasse muita atenção na parte introdutória desta carta. Hoje, particularmente, tive a oportunidade de enviar-lhe essas palavras, mas saiba desde já, que não será algo constante em sua vida, talvez seja a primeira e a última vez que mando algo dessa magnitude, então, faça o favor de ler e entender o sentido disso tudo, não tenho muita paciência, e você sabe disso.
Aqui onde estou há muitas coisas que ainda preciso desvendar, não aprendi nem a metade do que preciso saber, é bem diferente do que eu imaginava, é tão real e concreto, que às vezes me arrependo de não ter pensado no assunto antes disso tudo acontecer.
Hoje mais cedo, me peguei pensando em você, refiz na memória todos os momentos felizes que nós tivemos, quando não tinha mais o que pensar, com medo de esquecer qualquer coisa, refiz também na memória os momentos infelizes que passamos, e foram muitos.
Depois de refazer todos esses momentos, cai em depressão, chorei tanto que meus olhos ainda tremem, acho que se você fizer um esforço visual, ainda enxergará a marca das lágrimas no papel, foram tantas que até na hora de escrever elas me acompanharam. Só consegui me recompor, quando um homem aproximou-se e disse que eu teria a oportunidade de mandar esta carta a qualquer pessoa...
Amor, ele era um anjo, desde que cheguei por aqui, no “majestoso paraíso” (nome que eles dão a este lugar), eles andam de um lado para o outro tentando nos acalmar, é tão impressionante o jeito como eles falam e se comunicam, tem vezes que um simples toque no ombro transmite uma paz, coisa que eu jamais havia sentido quando estava vivo, ou melhor, quando estava no plano terrestre... Aqui eles não deixam você se lamentar por ter morrido, afinal, você não morreu, apenas está vivendo em outro plano.
O amigo do homem que me concedeu a oportunidade de escrever-lhe, disse para eu não perder tempo explicando minuciosamente: Onde estou como estou e outras perguntas que você deve estar se fazendo, ele explicou-me que essas oportunidades são dadas às pessoas que deixaram algum propósito no plano terrestre, ou não expressaram tudo que sentiam de verdade aos que amam.
Eu não poderia pensar em outra pessoa, não poderia sequer sonhar com outra pessoa que não fosse você. Depois daquele acidente muitas coisas “ficaram suspensas no ar”, muitas palavras não foram ditas, e isso tudo chega a ser engraçado e sarcástico, quando nem fazemos idéia do que é estar aqui, achamos que tudo não passa de um clichê, desdenhamos do amor, brigamos com quem amamos e às vezes até fazemos pouco caso de viver, mas quando nos tiram a oportunidade de falar, gritar, abraçar, sentir as mãos, beijar, e etc., é que sentimos o peso da nossa péssima passagem pela Terra.
Estou sentindo tanto, é um aperto no peito que parece não terminar, acho que eles cravam uma faca dentro do seu coração quando você é marcado por ter feito coisas erradas, a minha “faca” parece ser grande, dói muito. Às vezes eu reclamava de coisas sem importância, mas não há nada mais doloroso que a dor de estar aqui, sem poder te ver, sem poder te tocar, sem poder sentir o gosto dos seus beijos, sem poder aconchegar-me no teu colo e dormir sem ter hora para acordar.
Sabe, aqui a gente não dorme, não há horários, não há marcação de tempo e muito menos “colos” aconchegantes como o seu. Eu queria poder te trazer aqui por um dia. Apesar de ser um sofrimento não ter por perto quem amamos, esse lugar é realmente um paraíso, não há fome, não há discórdia, não há impedimentos, não há deveres nem metas de trabalho, aqui não há nada que te faça infeliz.
Eu ouvi dizer que quando eu tiver mais tempo neste lugar, eu ganharei dons, também ouvi dizer que daqui a um tempo, eu poderei escolher um terrestre para proteger, são espécies de conexões, dependendo da pessoa escolhida, poderei zelar todos os dias para que a vida terrena desta pessoa seja tranqüila. Saiba desde já que serás minha escolhida, e se existir outro ser por aqui tentando te proteger no meu lugar, vou armar a primeira discórdia deste lugar, (rs, rs).
Prometo que tentarei fazer por aqui o que muitas vezes você me cobrou e eu nem me importava, se puder, vou passar todos os dias da eternidade te protegendo, zelando pelo seu coração e rezando para que nada aconteça a você. Falando em rezar, preciso te contar, aqui nós somos obrigados a rezar todos os dias, eu percebi que rezava de forma errada, aí na Terra, eu só pedia, jamais agradecia as graças alcançadas, aqui é bem diferente, precisamos rezar pensando no outro, desejando graças o tempo todo.
O meu tempo de escrever para você está se esgotando, eles não deixam nós nos apegarmos tanto a esses meios de comunicação, disseram que faz brotar nas almas infelicidade e angústia, também disseram que eu não vou comunicar-me com você de novo, e que só nos veremos quando estiveres aqui comigo. Espero que você jamais passe pela dor que eu passei de não estar mais no plano terrestre ao lado de quem ama, mas vou rezar para um dia te encontrar de novo, ficando ou não do meu lado...
Vou confessar-lhe uma coisa, o meu coração já não dói como quando comecei a escrever, os olhos já não tremem, até esbanjei um sorriso ao me lembrar da vez que prometi casar contigo e te fazer a pessoa mais feliz do mundo, ou da vez que disse que adotaríamos duas crianças, um casal, e que faríamos deles grandes pessoas. Por favor, não ache que essas promessas foram “mentiras ao vento”, eu apenas não tive tempo de realizá-las, e se eu pudesse, correria para os seus braços sem nem pensar a pediria em casamento...
Eu preciso ir, mas antes disso, quero declarar formalmente, incondicionalmente e eternamente que você foi, é, e sempre será o amor da minha existência. Não houve e não há no plano terrestre e espiritual, respectivamente, pessoa mais importante que você. E por favor, não chore, não lamente, não deixe que o brilho que existe em você se apague, viva e diga aos que ficaram o valor que eles tem e o quão de importância tem na sua vida.
Quando sentir a minha falta, olhe para o céu e ao invés de procurar a estrela mais brilhante, procure a mais apagada e solitária, me enxergue nela, sim, serei eu sem o seu amor e sem você. Quando não houver estrelas ou condições de olhar para o céu, aperte os braços contra o peito, aperte com força e imagine o meu abraço, àquele que você adorava quando nos encontrávamos depois de um longo tempo sem se ver. Mas, se estiver tão triste a ponto de não conseguir se mexer ou fazer esforços, então, apenas feche os olhos, durma e sonhe comigo.
Se ao dormir tiver pesadelos atordoados e infelizes, acorde rapidamente e imagine que fui eu quem a acordei e que ficarei ali para que nada de ruim te aconteça. Ainda sim, se nada disso adiantar e a dor não passar, a minha falta te dominar e teu coração enrijecer, apenas ajoelhe, junte as mãos e peça a Deus que me mantenha sempre vivo em sua memória e coração, estarei zelando por você. Eu a amo mais que a mim mesmo, eu a amo mais que este paraíso, eu a amo como nunca se amou alguém nos dois planos, do teu amado e eterno,
Eu estava em desespero, não conseguia distinguir se aquele olhar estaria em minha direção, ou se eu estaria imaginando coisas pelo fato de estar apaixonado. Nos últimos dois meses, eu fui protagonista desta situação por muitas vezes.
Os olhos amendoados me olhavam, eram tão brilhantes e iluminados, que muitas vezes eu desviara a direção do meu olhar, por não saber como reagir a tanta beleza. Estava ali, parada, parecendo um anjo, pelo menos na minha cabeça, era um anjo. Muitas vezes eu me via sem ar e até forçava os pés no chão, para não correr o risco de sair levitando ou outra coisa do gênero, seria extremamente perceptível.
Ela veio em minha direção, eu pisquei os olhos duas vezes para saber se estava realmente acordado, infelizmente eu estava. Aproximou-se e perguntou se o lugar ao meu lado no banco estaria ocupado, eu meio sem jeito, balancei a cabeça negativamente e com um tom de voz suave, disse que não.
Sentou-se, olhou para frente e enrijeceu, na minha “cabeça”, aquilo era um péssimo sinal, mas para o meu coração, o fato de ter se acomodado ao meu lado, era algo positivo.
À medida que o tempo passava, eu tentara de alguma forma chamar a sua atenção, por muitas vezes tentei encostar minhas pernas na dela ou sentir o ar suave de seus braços nos meus, o banco em que estávamos já não era “solitário”, agora, onze pessoas estavam ali além de nós dois.
Vinte e sete minutos, nenhuma palavra, nenhum olhar, nada que pudesse ao menos dar-me esperanças. Não fiquei angustiado, sequer entristeci, estava acostumado com essa falta de comunicação e a sua rispidez.
Trinta e sete minutos, eu não estava mais ali, pelo menos não em espírito, meu corpo era apenas uma massa inerte amontoada em um banco, sem sinal de vida ativa. O meu pensamento estava em desespero, eu queria um sinal, eu queria um olhar, eu queria uma palavra...
Quarenta e oito minutos, eu não consigo entender até agora de onde vieram forças para aquela massa inerte olhar para o lado e perguntar as horas, mas fiz isso, perguntei e não me arrependo, ela virou – se lentamente e respondeu. Nem reparei em sua resposta, até por que, eu estava contando as horas desde o momento que sentei naquele banco.
Naquele único momento, eu só tinha “olhos”, ou melhor, eu só tinha “ouvidos” para aquele som perfeito, sua voz era linda, eu já havia reparado outras vezes, e como havia... Mas nunca tão minuciosamente como naqueles três segundos de resposta sobre o horário, a resposta foi simples e curta, mas fiquei tão ou mais alvoroçado do que quando ela perguntou – me sobre o lugar vazio no banco.
Por um breve e insensato momento, fiquei a imaginar se um dia eu teria aquela voz voltada para mim, se ouviria canções e declarações todos os dias que quisesse, se um dia ouviria sermões e ralhos que mais pareceriam uma bela canção do que qualquer outra coisa, se um dia eu seria “inspiração” para aquela voz, a voz que eu sonhara todos os dias há mais de dois meses...
Eu estava satisfeito, ela falou comigo, ela reparou em mim, pelo menos eu alimentava isso, agora eu podia alimentar por mais dois meses ou dois anos, tanto faz, ou até ela reparar outra vez, seria uma solução para exterminar a aflição, o sufoco e a dor que revestiam o meu coração por não ser, literalmente, correspondido àquele sentimento.
Uma hora e quinze minutos, acordei espantado com o tom grave da voz do padre, ele estava dando a benção final a todos aqueles cristãos da missa de domingo, olhei ao redor e vi que tudo não passara de um sonho, eu havia dormido durante toda à missa. Ninguém havia reparado nos meus roncos, ou nos sons estranhos que eu emitia quando dormia ou cochilava? Ninguém havia me esbarrado ou empurrado em uma tentativa de me acordar? Será que ficaram compadecidos do meu rosto ao sonhar emitindo emoção e esperança?
Levantei-me inconformado, fiz o sinal da cruz e caminhei em direção à porta daquela igreja, olhei ao redor, ela não estava lá, não conseguia pensar em outra coisa se não naquele sonho... Era isso então, tudo passara de um sonho, um sonho de uma hora e exatos quinze minutos, agora não havia sentido, eu continuaria na mesma, continuaria sonhando, continuaria imaginando, continuaria rezando para que um dia aquilo pudesse vim a ser real.
Meus passos foram lentos até a saída da igreja, estava a flutuar, até queria que estivesse mesmo, não me daria ao trabalho de andar, eu estava tonto e infeliz, só me restava ir para casa como em todos os outros domingos, como todos os outros dias em que sonhei com o improvável, para mim já era improvável, até mais que isso...
Eu queria um sorriso, um abraço, uma voz a cantar para mim infinitamente, mas isso tudo, de uma única pessoa que sequer falava comigo, vou ficar em sonhos, em pensamentos, em imagens distorcidas do que não aconteceu... Dê – me um sinal para que eu possa tornar essa fantasia uma realidade e repousar o meu coração, ele precisa desse repouso há mais de dois meses.