quinta-feira, 29 de julho de 2010

Eu não sei me descrever,,,

O que seria uma boa descrição de “si mesmo”? Todos os dias eu tento criar e atualizar o meu perfil, pensando na melhor descrição para quem seria o “Bruce”. Mas em todas, eu nunca acho uma que realmente me defina por completo.
Aí, eu penso: “Seria por que todos os dias eu mudo o meu jeito de ser?”, seria algum tipo de “falta de personalidade” involuntária? Imagino muitas possibilidades, mas a que mais se aproxima do provável é que: Tudo muda, e a nossa vida não depende exclusivamente de nós mesmos, até por que, o destino não é nada previsível, e quem é que tem coragem de duvidar das mudanças do destino? Eu não tenho, e você, tem?
Então, o “Bruce” é uma pessoa sem personalidade, que vive em torno de um destino e se movimenta influenciado pelas pessoas? Claro que não. O “Bruce” tem personalidade, vive, acredita sim no destino e tenta se adequar ao pensamento das pessoas, mas nada disso de forma influenciável.
Mas então, qual seria a melhor descrição de si mesmo? Eu não sei, ainda estou procurando. Enquanto isso, eu posso dizer que na minha vida, ninguém entra por um simples acaso daquele destino retratado anteriormente, eu posso dizer também, que na minha vida, nada é feito de qualquer jeito, tudo tem um “por que”, e eu também arrisco dizer, que falar de si mesmo é muito difícil, eu mesmo não o - faço bem.
Se eu digo que sou uma pessoa legal, logo, as pessoas que me acham legal, vão concordar e dizer que eu me descrevi verdadeiramente. Mas e se a descrição parar “nas mãos” de alguém que não me acha legal? E agora, onde está toda aquela verdade na minha descrição?
Você deve estar se perguntando: O que deu na cabeça desse idiota para escrever uma coisa tão “sem noção” como descrição, não é mesmo? Escrever é meu “hobbie”, eu escrevo para desabafar, e na hora que eu escrevo, somos apenas eu e as letras, eu e o meu imaginário, eu e as minhas descrições, eu e os meus pensamentos imaturos, e que pensamentos imaturos...
Minha família costuma dizer que eu sou “vários em um só”, pelo menos é isso que eu entendo quando eles dizem: “Você está fazendo o que não deve, não é o momento”, ou quando eles dizem: “Bruce, você precisa mudar esse seu jeito”.
Mas, o que a família representa nesses momentos? Um tipo de “subconsciência?”. Acho que não, até por que, se eu estou errado, é por que algo não saiu muito certo na hora dos ensinamentos de: Boa educação, sentimentalismo, humildade, honra e todos aqueles preceitos chatos de família, você não concorda?
O que mais me intriga é que, quando nos tornamos “adultos”, falamos as mesmas coisas para nossos filhos, também para os netos, e quando a vida nos permite, ou melhor, a morte, falamos também para os bisnetos.
Falei, falei e falei, mas ainda não me descrevi. Você consegue enxergar aí em cima alguma característica minha? Eu não estou me descrevendo, juro que ainda não. Então, continuando, um dia, ouvi dizer que, quando uma pessoa se descreve, ela acaba se limitando, mas isso é muito engraçado, de que limites estamos falando?
Se eu disser que o “Bruce” é romântico, leal, amigo, sincero e sonhador, eu não estou criando limite algum, muito pelo contrário, eu abro novas formas das pessoas enxergarem lados até então desconhecidos, não é verdade?
É como se fosse uma sintonia, uma música, uma orquestra estimulada pelos olhares da platéia, tudo girando em torno de quem nos aplaude ou nos vaia no final, falando em música, bem que os novos cantores poderiam se apoiar nas do Chico, Tom e Marisa para compor suas canções, até mesmo gravá-las com uma nova face, rosto.
Eu queria entender o “porque” de todas as pessoas geralmente usarem o nome de Deus nas suas descrições, por exemplo, vendo sites de relacionamento, me deparo com essa falsa-hipocrisia: Paixões: “Deus, família, amigos, mulheres, etc.” ou então: “As cinco coisas sem as quais eu não consigo viver: Deus, família, amigos, dinheiro, etc.” É muito engraçado, eu até precisei esperar o riso me abandonar para continuar escrevendo, é muito engraçado duas vezes.
Vamos refletir um pouco, o nome de Deus aparece várias vezes, sempre em primeiro lugar em relação aos outros itens, mas, me digam, quais dessas pessoas nas suas descrições realmente dizem a verdade? Será mesmo que entre amigos, família, mulheres, dinheiro, Deus é o que mais importa? Quantas dessas pessoas agradecem, ou sequer lembram Deus no seu dia –a – dia? Pois é, acho que poucas.
Se eu fosse descrever religião na minha vida, diria que, não é preciso estar dentro de um templo, igreja, terreiro de umbanda, capela, convento, ou em qualquer outro lugar, para sentir Deus, ele nos rodeia, faz nosso mundo melhor, dá sentido a tudo que nele vive. Apesar de fazer parte de um grupo jovem, onde juventude, oração e santidade são características essenciais, ás vezes caio na ignorância de não agradecer todos os dias à Deus, com você acontece a mesma coisa?
E pensar em Deus é sonhar, não é mesmo? E assim eu me pergunto, será que existe alguma outra pessoa no mundo que sonhe com cem dias passeando pelo Egito, sendo que o penúltimo seja amanhecendo em uma pirâmide? Ou então, que sonhe em morar em um “kit net”, sim, você entendeu bem, morar em uma dessas “casinhas” alugadas, pagando mais ou menos R$450,00? Será que existem outras pessoas sonhando isso? Ou são sonhos que ninguém deveria sonhar?
Outra coisa me chama a atenção, todo mundo que se descreve profundamente, envolve o nome de amigos: “Eu amo meus amigos”, “Tenho melhores amigos”, “Meu miguxinhos”... Isso é mesmo necessário? Se eu fosse envolver amigos em uma descrição, não faria assim, não é mais fácil especificar que suas (o) melhores amigas (o) são “fulano, ciclano, beltrano”? Se bem que, tem gente que considera “amigo” até aquele “tiozinho” que juntou a moeda que saiu rolando pelo ônibus...
E então, o que seria uma boa descrição dos amigos? Exemplo: “Denize e Laíza são minhas amigas, grande parte do que eu sou, devo às lições dessas meninas, dezessete anos de convivência, toda a minha eternidade”, simples e bonito não é mesmo?
Vejam só, eu não comecei a me descrever, muito menos descrever a minha vida e as pessoas que a rodeiam. Não tenho muita paciência para me descrever. Imagina se eu fosse contar que, o amor, na minha vida é “pura teoria sentimental”, tenho teorias de primeiros encontros, teorias sobre o ato de oscular alguém, até testes para saber se o “cara” que tá dando em cima das minhas amigas está sendo sincero, mas você deve estar se perguntando, então tudo relacionado ao “amor” na vida dele são apenas teorias, e a prática, onde fica?
É bom ter teorias, dessa forma, de “pé sempre atrás”, eu me livro das armadilhas do “amor”, mas eu não costumo definir o amor não, ele é imprevisível, igual o destino de que te falei lá em cima, uma vez, o “amor” me disse para eu não procurá-lo que ele apareceria sem eu menos esperar, o único problema disso tudo é que, e se eu não estiver preparado para recebê-lo? É sempre bom receber as visitas passageiras de maneira exemplar, opa, eu chamei o amor de passageiro, mas pior que, estou quase chegando a conclusão de que ele é.
Mas não vamos generalizar o amor, ele é tão “fofo, bobo e envolvente”, é melhor o deixarmos quietinho, vai que ele apronta uma daquelas paixões, armadilhas profundas, que quando menos esperamos, estamos suspirando pó mágico e “falando borboletas”, e ultimamente, não to precisando disso.
Eras, agora estou muito frustrado, escrevi tanto e ainda não consegui caracterizar o “Bruce”, você realmente enxerga alguma descrição, algo pelo menos parecido com isso? Eu não. Engraçado, quais são minhas características? Quais os meus sonhos? Qual o significado de família na minha vida? E religião? E Deus? E os meus amigos? Nem me lembro de ter falado deles, ai meu Deus, será que perdi minhas teorias de amor? E minhas músicas? Quais são?
Enfim, juro que vou tentar me descrever, não desistir é arte, e eu sou um artista. Talvez, lendo isso, você não encontre absolutamente nada do meu “ser”, quem sabe nas próximas chances eu consigo, não é mesmo? Acho que preciso primeiro olhar para dentro e esquecer-me do mundo lá fora. Meu Deus, tantas letras e nenhuma descrição, o que eu fiz? Perdi a coerência ou o fôlego? Enfim, eu não sei ao certo, mas sei que apenas uma coisa é certa, eu ainda não sei me descrever.
By. Bruce Alex T. Larrat.

Tente imaginar...


Agora que estava cada vez mais perto, eu já não conseguia diferenciar na minha cabeça o que era amor, o que era paixão, o que era prazer... A campainha não tocava, e no fundo eu não queria que tocasse mesmo, esse som seria a marca, o ponto de partida para o que eu tentara atrasar o máximo possível, mas eu já estava conformado com a idéia de que seria hoje.
Passos apressados sustentavam a minha feição de medo, desconfiança e nervosismo, eu podia sentir cada pulsar do coração contra o meu peito coberto pela camisa de linho vermelho que ela havia me presenteado há alguns dias atrás. As mãos, só não estavam mais molhadas pelo fato de deslizarem de três em três segundos no bolso da bermuda cor creme.
O relógio na parede parecia querer “gritar”, e com razão, ele agora marcava nada mais nada menos que quarenta e sete minutos de atraso dela. O que fazer? Ligar? Ir ao seu encontro? Desistir? Não, que tal ler uma revista? Também não, tiraria o foco e correria o risco de perder a adrenalina. A opção de sentar sobressaiu sobre as outras.
Enfim, ele tocou, sim, aquele som alarmante que naquele momento parecia mais uma sirene de filme de terror do que uma campainha, então seria agora. Como ela estaria vestida? Não conseguia imaginar. Talvez uma roupa sensual? É, acho que não... Ela conhecia minhas teorias, meus medos, deveria saber o quão nervoso eu estava.
Levantei-me embaraçosamente, caminhei alguns passos até a porta, o velho costume de passar a mão no topete não foi deixado de lado, a outra mão pairou sobre a fechadura prata enferrujada, girei lentamente e puxei a porta vermelho – vinho.
Era ela, ficou parada como se tivesse visto um fantasma, sua expressão era um misto de ansiedade e pressa. Cheguei a pensar que ela iria sair correndo e me deixar ali, seria uma ótima opção, eu ainda estava nervoso demais para encarar aquele momento, mas não, ela entrou, caminhou até o sofá amarelo e largou a bolsa branca de fivela sobre o braço do sofá.
Fechei a porta e fui ao seu encontro, sentei-me ao seu lado, encostei os lábios meio abertos em seu ouvido e tentei sussurrar, mas não saiam palavras naquele momento, eu estava extasiado. Não pude deixar de notar naquelas coxas, que antes daquela noite, nunca tiveram a intenção de estarem à amostra.
O vestido preto reluzia desejo e excitação, bem diferente do que eu pensei que ela estaria trajando. Suas mãos encontraram meu cabelo e rapidamente deslizaram em um “frenesi” intenso e delirante. As minhas, encontraram o percurso perfeito e delicado de sua cintura, ela gostou, pude sentir um ar de vaidade. E agora? Quem seria o primeiro a mudar o hábito? Aquilo era normal para a gente.
(Continua...)
Bruce Alex Teixeira Larrat.