quinta-feira, 29 de julho de 2010

Tente imaginar...


Agora que estava cada vez mais perto, eu já não conseguia diferenciar na minha cabeça o que era amor, o que era paixão, o que era prazer... A campainha não tocava, e no fundo eu não queria que tocasse mesmo, esse som seria a marca, o ponto de partida para o que eu tentara atrasar o máximo possível, mas eu já estava conformado com a idéia de que seria hoje.
Passos apressados sustentavam a minha feição de medo, desconfiança e nervosismo, eu podia sentir cada pulsar do coração contra o meu peito coberto pela camisa de linho vermelho que ela havia me presenteado há alguns dias atrás. As mãos, só não estavam mais molhadas pelo fato de deslizarem de três em três segundos no bolso da bermuda cor creme.
O relógio na parede parecia querer “gritar”, e com razão, ele agora marcava nada mais nada menos que quarenta e sete minutos de atraso dela. O que fazer? Ligar? Ir ao seu encontro? Desistir? Não, que tal ler uma revista? Também não, tiraria o foco e correria o risco de perder a adrenalina. A opção de sentar sobressaiu sobre as outras.
Enfim, ele tocou, sim, aquele som alarmante que naquele momento parecia mais uma sirene de filme de terror do que uma campainha, então seria agora. Como ela estaria vestida? Não conseguia imaginar. Talvez uma roupa sensual? É, acho que não... Ela conhecia minhas teorias, meus medos, deveria saber o quão nervoso eu estava.
Levantei-me embaraçosamente, caminhei alguns passos até a porta, o velho costume de passar a mão no topete não foi deixado de lado, a outra mão pairou sobre a fechadura prata enferrujada, girei lentamente e puxei a porta vermelho – vinho.
Era ela, ficou parada como se tivesse visto um fantasma, sua expressão era um misto de ansiedade e pressa. Cheguei a pensar que ela iria sair correndo e me deixar ali, seria uma ótima opção, eu ainda estava nervoso demais para encarar aquele momento, mas não, ela entrou, caminhou até o sofá amarelo e largou a bolsa branca de fivela sobre o braço do sofá.
Fechei a porta e fui ao seu encontro, sentei-me ao seu lado, encostei os lábios meio abertos em seu ouvido e tentei sussurrar, mas não saiam palavras naquele momento, eu estava extasiado. Não pude deixar de notar naquelas coxas, que antes daquela noite, nunca tiveram a intenção de estarem à amostra.
O vestido preto reluzia desejo e excitação, bem diferente do que eu pensei que ela estaria trajando. Suas mãos encontraram meu cabelo e rapidamente deslizaram em um “frenesi” intenso e delirante. As minhas, encontraram o percurso perfeito e delicado de sua cintura, ela gostou, pude sentir um ar de vaidade. E agora? Quem seria o primeiro a mudar o hábito? Aquilo era normal para a gente.
(Continua...)
Bruce Alex Teixeira Larrat.

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